Ficha de Leitura:António Rosado & Catarina Silva (s/d) In Conceitos Básicos sobre Avaliação das Aprendizagens.http://www.home.fmh.utl.pt/ãrosado/Estágio/conceitos.htm. Acedido em Agosto 2009

10-01-2011 08:01

Ficha de Leitura

Palavras chave:

Avaliação, objectivos, norma, critérios, avaliação formativa, sumativa, diagnóstica, especializada, aferida, auto e hetero-avaliação

 

Ideias + importantes:

O sistema de avaliação implementado em Portugal baseia-se na Lei de Bases do Sistema Educativo de 1986 e tem como princípios a promoção da igualdade de oportunidades, do sucesso, da continuidade, a compreensão e a participação de todos os envolvidos.

Ao longo dos tempos surgiram vários conceitos de avaliação em que esta aparece relacionada com objectivos previamente definidos. Para Tyler (1949) citado por Rosado & Silva (s/d), a avaliação é a comparação entre o desempenho dos alunos e objectivos definidos. Para outros autores está relacionada com a verificação de objectivos educacionais, ou com a recolha de informações que levam à formulação de um juízo de valor. Para outros ainda é necessário definir objectivos da avaliação, atribuir tarefas aos alunos de forma que estes entendam o que se espera do seu desempenho, para o qual foram definidos critérios de desempenho e indicados níveis a atingir. Depois de apreciados os níveis de desempenho e ser passado o feed-back aos intervenientes, estabelecem-se novos objectivos e dá-se início a um novo ciclo.

A avaliação pode também ter como padrão de referência a norma, onde o desempenho dos alunos é comparado entre si e a avaliação é orientada por um conjunto de regras e tem como finalidade seleccionar, medir a posição de uns em relação aos outros.

As novas tendências da avaliação têm os critérios e o indivíduo como referências privilegiadas. Utilizam instrumentos específicos de avaliação, construídos em função dos objectivos e atendendo a indicadores pedagógicos concretos. Deve estar ao serviço da aprendizagem e ter por referência o aluno no seu processo de transformação.

A avaliação hoje deve atender não só à quantidade do saber do aluno, mas se o seu desempenho é eficiente, quais são os seus valores e atitudes, deve avaliar-se o saber e o saber fazer.

Há várias modalidades de avaliação que estavam inicialmente associadas ao contexto da avaliação curricular e que hoje são aplicadas à avaliação das aprendizagens dos alunos.

A avaliação formativa é fundamental no ensino básico destinando-se a “informar o aluno e o seu encarregado de educação, os professores e outros intervenientes, sobre a qualidade do processo educativo e de aprendizagem, bem como do estado do cumprimento dos objectivos do currículo” Despacho Normativo98-A/92, número 18.

Para Bloom, Hastings e Madaus (1973) citados por Rosado & Silva, o mérito da avaliação formativa é “ a ajuda que ela pode dar ao aluno em relação à aprendizagem da matéria e dos comportamentos, em cada unidade de aprendizagem.”

A avaliação sumativa é aquela que melhor possibilita a decisão de progressão ou retenção de um aluno, permite verificar a progressão de um aluno face a um conjunto de objectivos previamente definidos. Esta modalidade de avaliação pode ser expressa de forma qualitativa ou quantitativa.

A avaliação diagnóstica permite averiguar se os alunos adquiriram os conhecimentos e possuem aptidões para prosseguir para novas aprendizagens, permite identificar problemas e adequar o ensino às características dos alunos e fornecer informação para orientar o processo formativo.

A avaliação especializada está ligada aos alunos com Necessidades Educativas Especiais e é da responsabilidade de uma equipa multidisciplinar composta por professores e outros técnicos de educação. Permite a elaboração de um programa individualizado para os alunos avaliados no sentido da promoção do seu sucesso escolar.

A avaliação aferida é uma avaliação externa que tem a finalidade de controlar a qualidade do sistema de ensino e a avaliação das aprendizagens escolares.

Se atendermos que a avaliação deve ser partilhada entre os participantes, com responsabilidades bem definidas, a auto-avaliação e a hetero-avaliação podem ser instrumentos importantes para a construção do conhecimento. O envolvimento dos alunos em tarefas de auto-avaliação de forma pertinente promove a responsabilização do aluno sobre as suas actividades, e permite que ele identifique problemas e procure soluções.

 

Passagens interessantes:

 

“ (…) funções da avaliação: o apoio ao aluno na sua aprendizagem, o auxilio ao professor na avaliação do currículo e, ainda, o tornar acessível a informação a outros intervenientes no processo educativo.”

            “ ( ... ) a face mais visível da prática da avaliação é a sua função pedagógica, na qual se cruzam quatro dimensões ( … ) Uma dimensão pessoal, visando a estimulação do sucesso dos alunos, uma dimensão didáctica, com as fases de diagnóstico, melhoramento e verificação dos resultados da avaliação, uma dimensão curricular, envolvendo a possibilidade de realizar adaptações curriculares face às necessidades dos alunos e uma dimensão educativa, com a avaliação da qualidade da educação.”

            “ ( … ) a principal função da avaliação é contribuir para o sucesso do processo educativo e verificar em que medida é que isso foi conseguido, com o grande objectivo de aperfeiçoar a actividade educativa, regulando e orientando o processo de ensino-aprendizagem. “

            “A escola actual tem de ser multi e intercultural, com a preocupação de integrar todos os alunos (…). Mecanismos de diferenciação do ensino terão de ser acompanhados de mecanismos de diferenciação da avaliação (…) “

            “O processo de ensino, ao passar a centrar-se no aluno implica que diferentes métodos e técnicas comecem a ser mais utilizadas, como o trabalho de grupo, de pesquisa e de projecto”

            “ (…) exige-se uma diversificação de procedimentos, técnicas e instrumentos de avaliação, que inclui, em particular, a valorização do domínio das atitudes e das capacidades e a adopção de outros instrumentos de avaliação.”

            “ (…) a avaliação deve constituir uma base para planear os estádios seguintes da aprendizagem, apresentar critérios claros e relevantes para o currículo e possibilitar a todos os alunos oportunidade para mostrarem conhecimento, compreensão e destreza.”

            “ Com as novas concepções de avaliação, a avaliação referida à norma perde interesse, privilegiando-se uma avaliação referenciada ao critério e ao indivíduo, utilizando instrumentos específicos, construídos em função dos objectivos e focada em indicadores pedagógicos concretos.”

            “ Os professores deverão reconhecer as características da avaliação que efectivamente concretizam no seu dia-a-dia e desenvolver compromissos que se orientem para novas práticas avaliativas.”

           

 14/12/2010 - Ana Maria Coelho, n.º 38377